Boa parte dos meus textos publicados aqui no Observatório Cristão são decorrentes de conversas com amigos, profissionais e como não poderia deixar de ser, de experiências acumuladas nos últimos anos. Este texto que começo a escrever no vôo de volta de 2 dias absurdamente intensos em Fortaleza, onde tive a grata satisfação de participar da Expo Evangélica, foi motivado por um comentário do cantor, produtor, arranjador e amigo, Lenno Maia em uma de suas inúmeras entrevistas pelas rádios da capital cearense. Por sinal, quero também parabenizar às mídias, especialmente rádios evangélicas, que atuam na Grande Fortaleza. Poucas cidades no país possuem tamanha quantidade e variedade de perfis de emissoras com programação de música gospel.Em meio a tantas perguntas e comentários sobre seu novo trabalho lançado recentemente pela Sony Music, Lenno Maia afirmou de uma forma simples e direta, talvez até mesmo sem perceber a importância do que estava dizendo naquele momento, de muita gente no nosso meio artístico confundia sonho com chamado e é a partir desta declaração que eu quero desenvolver este próximo post.
Eu tenho um sonho de conhecer e dedicar alguns dias de minha vida à população do Timor Leste. Desde que aquele país sofreu uma invasão dos vizinhos da Indonésia e seu povo foi massacrado e sofreu inúmeras atrocidades de um país absurdamente maior e poderoso há alguns anos atrás, acompanho tudo quanto é notícia daquele distante lugar que tem como laço fraternal com o Brasil o fato de ter sido colonizado por Portugal e manter como língua pátria o idioma de Camões. Este é um desejo que me acompanha fortemente nos últimos anos e inclusive já o dividi com minha esposa diversas vezes.
Também tenho um sonho de poder conhecer o Haiti e de alguma forma contribuir para a reconstrução daquele país. O Brasil é um dos países que está diretamente envolvido no processo de reerguimento daquele lugar e inclusive mantém o controle militar da região. Em ambos os casos, eu tenho uma vontade, um sonho, um desejo. Só que esta sensação em nenhum momento me faz ou me impele a ser um missionário em tempo integral, a trabalhar numa ONG ou mesmo em criar um projeto assistencial para estas regiões. Sei que eu tenho um propósito maior em trabalhar na música, em lidar com o universo artístico, em envolver-me em projetos relacionados à cultura e afins.
Muitas pessoas podem ter um sonho de gravar um disco. Outras podem ter o desejo de subir num palco e cantar para milhares e milhares de pessoas. Podemos ter também pessoas que desejam um dia gravar um clipe, ter seu material publicado na web ou coisas do tipo. Mas efetivamente estes sonhos não significam que estas pessoas precisam dedicar e investir sua atenção e tempo para uma carreira artística e, principalmente, ministerial.
Recebo muitos emails, mensagens pelas redes sociais e cartas (sim, ainda tem gente que prefere o recurso de escrever e enviar cartas!) praticamente todos os dias, inclusive fins de semana e feriados. Boa parte destes contatos são acompanhados de links de áudio e vídeo, além de fotos, releases e não raro, de textos melodramáticos, recheados de muita emoção e histórias pessoais. Confesso que muitas das vezes faço uma leitura dinâmica destas mensagens procurando entender e observar apenas alguns pontos específicos. Em 90% destas mensagens a estratégia se repete:
“Eu tenho uma promessa e não vou desistir até que ela se realize e você pode me ajudar nesta empreitada!”
“Meu sonho é poder fazer parte de sua gravadora!”
“Quero gravar um CD, mas não tenho condições ainda … por favor me ajude!”
“Ouça meu CD com carinho e tenho certeza de que não irá se arrepender!”
Todos nós temos sonhos! E como é bom ter sonhos! Como é importante traçar metas, objetivos e sonhar com estas conquistas! Só que no meio gospel muita gente anda confundindo sonho com chamado. Quem tem o chamado, certamente tem o talento. Quem tem o chamado, certamente Deus irá providenciar condições para que seu ministério seja próspero. Quem tem o chamado, certamente terá um diferencial para se destacar em meio à multidão. Quem tem um chamado e está em sintonia com as coisas do Alto, tem uma certeza dentro de si de que no tempo certo a sua hora irá chegar.
Ter sucesso no futebol é algo que muitos meninos sonham para si. Só que o talento, a arte, a habilidade não é presenteada a todos os garotos que a desejam. São poucos que a recebem e é impressionante como os “fora de série” se destacam já na primeira infância. Ao vermos vídeos do início de carreira de craques como Ronaldinho Gaúcho, Messi e Neymar, já era notório o talento daquelas crianças, suas habilidades eram naturais, simplesmente chegavam ali e saindo driblando todo mundo, marcando os seus gols, se destacando no meio da gurizada.
Eu gosto muito de futebol. Adoro assistir as partidas de meu time pela TV e mais ainda de disputar uma pelada de fim de semana. Isso já me satisfaz imensamente, mas jamais teria condições e foco em seguir uma carreira como atleta de futebol. Da mesma forma, adoro música, cantei em corais e em alguns grupos, até toquei percussão na minha adolescência, mas daí a querer seguir numa carreira artística a distância era abissal.
Na arte é a mesma coisa. Parece que tem gente que nasce para ser músico, ator, dançarino, pintor … suas habilidades são inerentes e tudo indica que irão traçar desde já um caminho de sucesso. Nestes casos há uma clara indicação de que no DNA foi colocada uma pitada de talento especial que merece ser desenvolvido pelos próximos anos. No nosso ambiente, esta pitada pode ser chamada de dom e o seu desenvolvimento posterior como ministério. E desta forma, seguindo uma relação íntima com Deus, certamente a pessoa poderá se destacar em meio a tantos e tantos sonhadores.
É natural que muita gente confunda sonho com chamado. Até porque em nosso meio muitas das vezes somos influenciados a entender que tudo tem um viés religioso e nem sempre racional. Basta observarmos a figura do pastor contemporâneo e veremos que muitos confundiram chamado com eloqüência verbal, oratória ou mesmo simpatia e facilidade nas relações pessoais. Desta forma nos deparamos com pastores que são grandes palestrantes, oradores sensacionais que conseguem dominar uma platéia e proferem palavras de ordem impactantes, mas isso é realmente ser um pastor? Muitos destes grandes oradores simplesmente preferem relacionar-se com o público na distância segura de um púlpito ou até mesmo de uma câmera de TV. Não querem cuidar de ovelhas, não têm tempo para dar atenção a pessoas de forma individualizada.
Da mesma forma, há muita gente que tem uma bela voz, possui conhecimento técnico musical, que ama cantar, mas isso não significa que tem um chamado, de que Deus o está capacitando a seguir num ministério próprio. Tem espaço para todo mundo realizar o seu sonho na área musical, especialmente no meio evangélico, mas precisamos entender até onde vai um sonho e onde se inicia o chamado. Infelizmente tenho visto em todo canto do país gente frustrada, magoada por não ter alcançado o sucesso na área artística. Muitos outros vivem ansiosos, investindo de forma tresloucada em “viagens” que não levam a lugar algum. O que posso dizer é que se estas pessoas não entenderem verdadeiramente de que um sonho não significa que Deus está sonhando junto, certamente seguirão frustradas e correndo o risco de ter uma relação conturbada consigo, com seus familiares e amigos, e até mesmo com Deus.
A minha palavra é de que antes de seguir uma carreira artística entendendo que possui um ministério, todo postulante deve ter uma conversa séria com Deus. É muito natural que tenhamos dúvidas, ainda mais em questões profissionais! Então sugiro que você procure entender os sinais de Deus para sua vida. Mantenha com Ele uma relação íntima e intensa. Ore. Pergunte claramente o que Ele quer de você e de seus talentos. Faça provas. Peça sinais. Busque por momentos de consagração. Busque a face de Deus porque a Palavra é muito clara de que quando o buscamos em espírito e em verdade Ele se mostra a nós. Por favor, não se jogue num projeto como se saltasse de um penhasco ou de um avião sem pára-quedas. Tome atitudes com a certeza no coração. Isto é absolutamente possível para aqueles que têm profunda comunhão com o Senhor. Creia nisso!
Infelizmente me deparo com muita gente que seguiu uma carreira artística simplesmente baseada em seu talento e em muitas das vezes perseverança, suor, dedicação absoluta. Alguns destes, também através de uma boa dose de investimento financeiro. Muitas destas pessoas simplesmente encontraram um nicho, uma oportunidade e seguiram no projeto como uma profissão dando ares de ministério. Só que sem a bênção de Deus, sem o verdadeiro chamado e principalmente, sem a devida seriedade que devemos ter com as coisas de Deus, estes acabam deixando péssimos testemunhos, seguem num ativismo pobre, deturpam o conceito de ministério, transformam tudo em negócio vil, mercantilista e trazem uma péssima imagem para os artistas cristãos, a música gospel e o próprio Evangelho perante a igreja e mesmo a sociedade.
Sinceramente espero que você possa analisar de forma muito leve e segura sobre o seu verdadeiro papel e relação com a música e as coisas de Deus. Lembre-se que Deus quer adoradores, corações quebrantados, sem dúvida, para Ele é muito importante que você o adore do que grave um disco ou siga numa carreira artística. Para aqueles que Ele decidir que sigam num ministério, certamente as ferramentas serão disponibilizadas por Deus no seu tempo certo e para estes a expectativa divina também será bem maior do que todos nós, simples adoradores.
E eu sigo minha viagem até São Paulo e de lá para a Cidade Maravilhosa. E quem sabe, no próximo sábado já poderei estar devidamente uniformizado para disputar a minha pelada de fim de semana na companhia de amigos que sonharam um dia estufar as redes do Maracanã, mas que hoje se contentam em simplesmente marcar um gol, mesmo que de canela.
Um grande abraço a todos!
Mauricio Soares, alguém que um dia sonhou ser publicitário numa grande agência. Também sonhou em trabalhar com jornalismo. Sonhou em se casar e ser pai e hoje se alegra em ter conseguido realizar estes e tantos outros sonhos.
Ter sucesso no futebol é algo que muitos meninos sonham para si. Só que o talento, a arte, a habilidade não é presenteada a todos os garotos que a desejam. São poucos que a recebem e é impressionante como os “fora de série” se destacam já na primeira infância. Ao vermos vídeos do início de carreira de craques como Ronaldinho Gaúcho, Messi e Neymar, já era notório o talento daquelas crianças, suas habilidades eram naturais, simplesmente chegavam ali e saindo driblando todo mundo, marcando os seus gols, se destacando no meio da gurizada.
Eu gosto muito de futebol. Adoro assistir as partidas de meu time pela TV e mais ainda de disputar uma pelada de fim de semana. Isso já me satisfaz imensamente, mas jamais teria condições e foco em seguir uma carreira como atleta de futebol. Da mesma forma, adoro música, cantei em corais e em alguns grupos, até toquei percussão na minha adolescência, mas daí a querer seguir numa carreira artística a distância era abissal.
Na arte é a mesma coisa. Parece que tem gente que nasce para ser músico, ator, dançarino, pintor … suas habilidades são inerentes e tudo indica que irão traçar desde já um caminho de sucesso. Nestes casos há uma clara indicação de que no DNA foi colocada uma pitada de talento especial que merece ser desenvolvido pelos próximos anos. No nosso ambiente, esta pitada pode ser chamada de dom e o seu desenvolvimento posterior como ministério. E desta forma, seguindo uma relação íntima com Deus, certamente a pessoa poderá se destacar em meio a tantos e tantos sonhadores.
É natural que muita gente confunda sonho com chamado. Até porque em nosso meio muitas das vezes somos influenciados a entender que tudo tem um viés religioso e nem sempre racional. Basta observarmos a figura do pastor contemporâneo e veremos que muitos confundiram chamado com eloqüência verbal, oratória ou mesmo simpatia e facilidade nas relações pessoais. Desta forma nos deparamos com pastores que são grandes palestrantes, oradores sensacionais que conseguem dominar uma platéia e proferem palavras de ordem impactantes, mas isso é realmente ser um pastor? Muitos destes grandes oradores simplesmente preferem relacionar-se com o público na distância segura de um púlpito ou até mesmo de uma câmera de TV. Não querem cuidar de ovelhas, não têm tempo para dar atenção a pessoas de forma individualizada.
Da mesma forma, há muita gente que tem uma bela voz, possui conhecimento técnico musical, que ama cantar, mas isso não significa que tem um chamado, de que Deus o está capacitando a seguir num ministério próprio. Tem espaço para todo mundo realizar o seu sonho na área musical, especialmente no meio evangélico, mas precisamos entender até onde vai um sonho e onde se inicia o chamado. Infelizmente tenho visto em todo canto do país gente frustrada, magoada por não ter alcançado o sucesso na área artística. Muitos outros vivem ansiosos, investindo de forma tresloucada em “viagens” que não levam a lugar algum. O que posso dizer é que se estas pessoas não entenderem verdadeiramente de que um sonho não significa que Deus está sonhando junto, certamente seguirão frustradas e correndo o risco de ter uma relação conturbada consigo, com seus familiares e amigos, e até mesmo com Deus.
A minha palavra é de que antes de seguir uma carreira artística entendendo que possui um ministério, todo postulante deve ter uma conversa séria com Deus. É muito natural que tenhamos dúvidas, ainda mais em questões profissionais! Então sugiro que você procure entender os sinais de Deus para sua vida. Mantenha com Ele uma relação íntima e intensa. Ore. Pergunte claramente o que Ele quer de você e de seus talentos. Faça provas. Peça sinais. Busque por momentos de consagração. Busque a face de Deus porque a Palavra é muito clara de que quando o buscamos em espírito e em verdade Ele se mostra a nós. Por favor, não se jogue num projeto como se saltasse de um penhasco ou de um avião sem pára-quedas. Tome atitudes com a certeza no coração. Isto é absolutamente possível para aqueles que têm profunda comunhão com o Senhor. Creia nisso!
Infelizmente me deparo com muita gente que seguiu uma carreira artística simplesmente baseada em seu talento e em muitas das vezes perseverança, suor, dedicação absoluta. Alguns destes, também através de uma boa dose de investimento financeiro. Muitas destas pessoas simplesmente encontraram um nicho, uma oportunidade e seguiram no projeto como uma profissão dando ares de ministério. Só que sem a bênção de Deus, sem o verdadeiro chamado e principalmente, sem a devida seriedade que devemos ter com as coisas de Deus, estes acabam deixando péssimos testemunhos, seguem num ativismo pobre, deturpam o conceito de ministério, transformam tudo em negócio vil, mercantilista e trazem uma péssima imagem para os artistas cristãos, a música gospel e o próprio Evangelho perante a igreja e mesmo a sociedade.
Sinceramente espero que você possa analisar de forma muito leve e segura sobre o seu verdadeiro papel e relação com a música e as coisas de Deus. Lembre-se que Deus quer adoradores, corações quebrantados, sem dúvida, para Ele é muito importante que você o adore do que grave um disco ou siga numa carreira artística. Para aqueles que Ele decidir que sigam num ministério, certamente as ferramentas serão disponibilizadas por Deus no seu tempo certo e para estes a expectativa divina também será bem maior do que todos nós, simples adoradores.
E eu sigo minha viagem até São Paulo e de lá para a Cidade Maravilhosa. E quem sabe, no próximo sábado já poderei estar devidamente uniformizado para disputar a minha pelada de fim de semana na companhia de amigos que sonharam um dia estufar as redes do Maracanã, mas que hoje se contentam em simplesmente marcar um gol, mesmo que de canela.
Um grande abraço a todos!
Mauricio Soares, alguém que um dia sonhou ser publicitário numa grande agência. Também sonhou em trabalhar com jornalismo. Sonhou em se casar e ser pai e hoje se alegra em ter conseguido realizar estes e tantos outros sonhos.
Fonte: Observatório Cristão
Mauricio Soares, publicitário, jornalista, observador, caixeiro-viajante que morre de saudades de casa, atuando no mercado gospel há alguns anos e confiante de que em algum dia as coisas ficarão mais fáceis para todos nós que militam neste segmento.
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